A Origem de Evon


A palavra vernácula “evo” vem do indo-europeu aiues-os; donde se faz em sânscrito ayuh, em grego aion e em latim aevum. A significação primeira do vocábulo é vida, curso de vida; dai, longo período de tempo e, por fim, eternidade ou existência sem fim.

Os alquimistas utilizavam tal termo em suas variadas acepções, empregando-o ora no sentido de vida, ora no de tempo, ora no de eternidade.

Na Filosofia Escolástica, porém, aevum assumiu significado preciso, distinguindo-se nitidamente de tempo e eternidade. S. Tomás de Aquino, por exemplo, afirma: "Aevum differt a tempore et ah aeternitate sicut médium exsistens inter illa". — O evo difere do tempo e da eternidade como algo de intermediário entre um e outro (Suma Teológica I, 10,5; cf. In I Sententiarum, dist. 8, qu. 2, a. 1, ad 6). Frank Sheed , em seu livro Teologia e Sanity, disse que o aevum é também a medida de existência para os santos no céu.

Em outras palavras Platão dizia que o tempo (chrónos) foi feito pelo Artífice do mundo como "imagem móvel da eternidade" (eiko kíneton tina aiónos), imagem que procede segundo o número, ao passo que "a eternidade permanece na unidade" (ménontos aiónos en hení).

A medida da existência de tais criaturas é o evo ou a eviternidade; esses seres, por sua natureza e substância (ou por seu modo de ser), não conhecem a temporalidade, mas são incapazes de apreender o seu objeto de conhecimento num só ato; por isto experimentam a sucessão no seu agir.

O evo, assim entendido, é chamado por J. Ratzinger "o tempo antropológico" e por Candido Pozo "o tempo psicológico" em oposição ao tempo físico. Este é marcado pelo movimento da terra em torno do sol, ao passo que aquele tem a sua raiz na sequência de atos do psiquismo humano (que conhece... e que emite propósitos...).

Estas ponderações fundamentam suficientemente a existência do evo como necessário meio-termo entre o tempo e a eternidade.