Aprendendo a olhar com Ordem dos Fantasmas


O olho, como dispositivo mecânico do sistema fisiológico, é o canal por onde trafega o cenário iconográfico do qual fazemos parte. Funcionando como um sensor que capta a geometria do mundo, ele realiza a façanha de reter e codificar, detalhes significativos da realidade sensível que nos cerca. 

Para ver não basta olhar, sendo esse ato um processo complexo que se estabelece no interior do dialógico cérebro - cultura - indivíduo. Saber olhar é descongelar sentidos estabelecidos, paradigmas já consagrados e interpretações cristalizadas. É caminhar na realidade paradoxal da liberdade e do aprisionamento do mundo de significados. 

No entanto, se estamos preparados biologicamente para o universo visual, precisamos ascender às centelhas de informações que circundam o mundo das metáforas, para compreendermos o que está a nossa volta. Células fotossensíveis colocam-nos no mundo das luzes, mas não nos livram do universo das sombras e seus significados. 

Ao descongelar o que foi registrado e re-inventariar as interpretações e significados dos símbolos e signos que alimentam as obras de Leonardo da Vinci, o autor de Ordem dos Fantasmas nos faz refletir sobre esse olhar, evidenciando a importância de “reaprender aquilo que aprendemos, naquilo que vemos”.

Jorge Ferreira