Escrita da Fala



Que as pessoas não escrevem da mesma forma que falam é tão óbvio quanto ao fato de considerar a escrita e a fala como modalidades particulares da língua, embora haja características de uma que pode ser normalmente encontrada na outra, já que não são estanques. Acreditando que há mais semelhanças do que diferenças entre essas duas práticas discursivas e que tais semelhanças são fruto das influências mútuas de uma sobre a outra, as quais se manifestam de forma diferente e em momentos diferentes. Lembrando que Eucajus é um poeta, portanto: “caracteres”, sinais que identificam. Diz tudo!

Obviamente, considerando tais fatores na produção, é possível avaliar a influência de uma sobre a outra e constatar que inicialmente a oralidade inicia o ciclo de influências mútuas. De fato, após o contato contínuo com a escrita o indivíduo falante passa a apresentar uma nova fala. Conceito ilustrado em Ordem dos Fantasmas.

Crer numa fala-padrão é o mesmo que aceitar a inconsistente tese (antiga e já ultrapassada) de que a escrita seria um tipo de ersatz da fala como se ela fosse uma forma de transcrição da linguagem oral. A diferença está na inversão do foco. Pois, é a escrita que, inicialmente, recebe influência da oralidade. Mais tarde, é-lhe imposta uma escrita convencionada e socializada.


Assim, a escrita da fala encontrada em Ordem dos Fantasmas é sutilmente provocante e original!

Paula Rodrigues de Lima