Metaforas Em Ordem Dos Fantasmas





Contrariando a ideia de que o pensamento é essencialmente literal, proposicional e previsível, a Era da Imaginação propõe que nossas conceituações básicas da experiência são majoritariamente figuradas e determinam nossa maneira de pensar criativamente e de expressar nossas ideias. Com isso, os cognitivistas contemporâneos vão propor os três I’s da cognição humana: identidade, integração e imaginação. A identidade é a capacidade de construir referências, e ela só é possível porque a nossa mente faz a integração de domínios através da imaginação. Fauconnier e Turner afirmam que essas operações são misteriosas, poderosas, complexas e, principalmente, inconscientes. Para eles, até as formas mais simples dependem dessas operações complexas e dinâmicas da mente imaginativa.

Segundo George Lakoff e Mark Johnson, o sistema conceitual que estrutura nossos pensamentos e ações é essencialmente metafórico; o que sugere que o modo como pensamos, o modo como percebemos as coisas, como nos comportamos e como nos relacionamos com as pessoas e as coisas do mundo também possui uma essência metafórica. Nesse sentido, o que caracteriza a metáfora conceitual não é o uso de uma ou outra expressão linguística, mas as correspondências mentais que são feitas entre domínios de experiências diferentes.

Tradicionalmente a linguagem figurada é considerada a linguagem tipicamente poética; característica que serve, inclusive, de diferenciação básica entre a linguagem cotidiana e a linguagem literária. Entretanto, alguns trabalhos, mostram que a linguagem cotidiana é fortemente metafórica. Isso acontece exatamente porque a metáfora está na origem comum de todo e qualquer tipo de linguagem. Desse modo, a metáfora pode ser compreendida como um aparato cognitivo, que influencia nossa maneira de falar, ver, entender e agir.

Como pudemos vislumbrar, Ordem dos Fantasmas representa uma excelente fonte de pesquisa para estudantes de linguística, filosofia e psicologia, pois nele o autor concebeu a complexa relação entre realidade, linguagem e pensamento.

Roberto B. Giron