Pequenas Histórias em Gravações


O conto de tradição oral, seja ele lenda, fábula ou parábola, encanta por alimentar o nosso imaginário. As imagens que surgem a partir da narrativa são absorvidas pela alma de cada leitor-ouvinte que se apropria de forma única; o imaginário de cada um constrói a sua própria história, ou seja, a história será internalizada e vivida com maior intensidade, sendo o leitor-ouvinte responsável por imaginar as características psicológicas dos personagens, seus pensamentos e sentimentos. Apesar de serem mencionados alguns detalhes para favorecer a imaginação, um bicho Livro Selvagem nunca será igual ao outro; o Mestre terá vestes e fisionomias que diferem; as garotinhas não serão as mesmas, pois cada leitor-ouvinte deposita nesse enredo suas próprias vivências, suas sombras, seus conflitos, enfim sua alma. Através das histórias e das imagens que surgem há um sentido a ser criado, de forma singular e única. Além disso, o inconsciente de cada um captura e é capturado pelas histórias. O objetivo dessas pequenas histórias no capitulo “As Gravações” faz parte de um processo de auto-identidade, com objetivo puramente mítico. Uma grande sacada do autor, um truque! Pois, as imagens míticas desvelam em linguagem simbólica, as estruturas mentais primitivas que permanecem inibidas na psique do leitor moderno.

O truque esta na experiência onírica para atualizar uma herança arquetípica da humanidade. O tesouro de poderes imaginativos que está vivo dentro de cada um e que ressurge magicamente a partir da leitura!

O inconsciente é um mundo cheio de mistérios e riquezas que merecem ser encontrados e desvendados, pelo menos em parte. (Bonaventure)

Desta forma, as histórias servem de ponte, para que possamos responder as futuras questões do texto, mas isto só será possível através do recolhimento e da análise de nossas próprias possibilidades e limitações, ninguém poderá responder por nós.

Nessas pequenas histórias o autor incluiu metaforicamente as angústias e aflições de todas as fases da vida, desde a infância até a fase madura, aliando aspectos da inocência infantil à profunda apreciação psicológica da velhice, congregando o princípio e o fim da existência humana de forma suave, bem humorada e com encantamento.

Todas as histórias possuem basicamente o mesmo intuito: o de formar e enriquecer o “Self” do leitor através da irradiação de energias simbólicas que nutrem o pensamento inconsciente. Assim, ao chegar em “Revelações” o leitor estará aparelhado!

Alexandre Duarte