Derrida e Ordem dos Fantasmas


"...é preciso falar do fantasma, até mesmo ao fantasma e com ele"! Para Derrida os fantasmas sempre nos endereçam questões, nos convocam à ação e nos obrigam a responder por todos aqueles que não estão presentes e, com isso nos legam a responsabilidade. Mas é preciso lembrar que o fantasma não existe enquanto tal. Há inúmeros fantasmas que nos rondam, mas essa manifestação também é paradoxal: o fantasma é sempre mais de um, uma multiplicidade de convocações que nos chegam a cada momento (seria Ordem dos Fantasmas um enunciado ambíguo?); mas ele também é sempre menos que um. Por ser espectral, não pode chegar a configurar uma unidade, uma identidade. Na narrativa de Eucajus, a desconstrução, a origem ou fundamento é o fantasma!

Segundo Derrida tudo começa com o aparecimento do fantasma, isso quer dizer apenas que é preciso se deixar tomar e levar por esse hospede estrangeiro, por esse outro que aparece a mim e que tem seu tempo próprio. Por essa razão que a desconstrução como questão é sempre contemporânea, de Platão a Eucajus, da filosofia a química, da literatura a economia, não há hierarquias, não a prioridades absolutas. Devemos sempre responder as infinitas questões que nos chegam, quando e como nos chegam, quando e como somos convocados. O problema é que o pensamento metafísico não sabe lidar com o fantasma, ele precisa estar sempre seguro (isto é, ser categórico, objetivo, analítico, coerente, coeso, etc.) não consegue lidar com a radical alteridade totalmente outra. Para tanto, ele cria diversas maneiras de tentar presentificar os fantasmas (ou seja, aprisioná-los), mas sem nunca admitir que essa presentificação é sempre precária e provisória. E ainda mais, chamando essa violência de "verdade"!
Anônimo.