Ele Falou com Da Vinci!

O homem primitivo percebe intuitivamente que há algo sutil atrás de uma unidade altamente complexa de força natural que o diferencia de qualquer outra unidade; ele é muito mais sensível do que o homem civilizado, devido ao fato de sua mente não estar tão elaboradamente organizada pela educação.

Um selvagem, que sente essa vida que existe por trás dos fenômenos, tenta fazer contato com ela para poder aliar-se. O selvagem imagina, raciocinando por seu próprio método primitivo de analogia, que os seres por trás dos fenômenos repousam num reino semelhante àquele em que sua própria vida onírica ocorre, ou seja, ele fabrica no sonho diurno ou na fantasia a aproximação mais estreita de que é capaz com as visões da noite, e, se consegue alcançar um alto grau de concentração, é capaz de fechar sua consciência desperta a penetrar voluntariamente no estado onírico, formulando um sonho regido por sua própria vontade.


Para conseguir esse propósito, ele formula em sua imaginação um retrato mental que visa representar o ser que é governante do fenômeno natural com que deseja entrar em acordo; ele o formula muitas e muitas vezes; ele o adora; ele o reverencia; ele o invoca. Se a invocação é suficientemente fervorosa, o ser que está buscando o ouvirá e poderá interessar-se pelo que está buscando; se suas adorações e sacrifícios lhe são agradáveis, poderá obter sua cooperação. O sucesso dessa operação depende, naturalmente, do grau em que o adorador aprecia a natureza do ser invocado, ele só pode fazê-lo na medida em que o seu próprio temperamento partilhar dessa natureza. Não tenho duvida, Eucajus falou com Da Vinci!


Alvaro Dias - Fã nº1