Estética em Ordem dos Fantasmas


A narrativa em Ordem dos Fantasmas pertence ao mundo da poética. Sua leitura adquire valores táteis e auditivos que operam em conjunto imagens sinestésicas entrecruzadas que nos afetam sensorialmente entre visibilidade e audição.

“Ouça com olhos e veja com os ouvidos”

Extraordinário ponto de vista com significado e sentido. Pois, indiscutivelmente o som forma imagens! Essa existência estética compõe o sistema dinâmico que constitui a leitura de Ordem dos Fantasmas. Uma leitura com aspectos táteis, envolvendo-nos não só o olhar e a audição como foi dito. Elas envolvem nosso ser e estar no mundo numa ontogênese que nos remete ao passado concomitantemente histórico e ideativo, uma perspectiva temporal que ganha dimensões de atualidade, mas não ocupa todo o seu campo significativo. Esse flash-out traz igualmente significados e sentidos:

"Lector, você deve experimentar coisas novas!"

Significados e sentidos linguísticos que permeiam a partir da alegoria, da metáfora e do simbólico inseridos para ampliar os fluxos e refluxos da trama. 

Onde há chamas há sombras. Neste conhecido ditado popular se inscreve a trajetória do pensamento. Assim como as imagens da loucura são atraentes porque contêm um saber, e um não-saber, a diferença e o pensamento livre atraem. Contêm saberes e "não-saberes". O pensamento divergente situa em espaços atraentes, demarca espaços de atração. Insinua o não-saber. O pensamento divergente mostra lugares que queremos ocupar, regiões do desejo sufocadas por uma força que nos impede a ação e o ato de decidir.

Em Ordem dos Fantasmas, os personagens não se registram na retina, não há descrição física do Mestre ou Dr. Streem, o que resta ao leitor são palavras de um fantasma ecoando na sua mente. Outros escritores talvez partilhem de tais ideias, mas assumi-las implica assumi-las no espaço e no tempo da criação. Implica no desejo de estar naquele lugar habitado pela liberdade!


Alvaro Dias - Fã nº1