Levi Strauss e O Bicho Selvagem



Publicado em 1962, O Pensamento Selvagem é um livro do antropólogo Claude Lévi-Strauss, criador do método estrutural que contribuiu para demonstrar que os chamados selvagens não são atrasados, "menos evoluídos", selvagens nem primitivos, apenas operam com o pensamento mítico (magia), que em termos de operações mentais é comparável ao pensamento científico, diferindo quanto às questões do determinismo causal, global e integral para o primeiro e em níveis distintos, não aplicáveis uns aos outros, no pensamento científico.

“...o mito e o rito não são simples lendas fabulosas,
mas uma organização da realidade a partir
da experiência sensível enquanto tal...”
(Lévi-Strauss )

Para explicar a composição do mito, Levi cita três funções características:

Função explicativa: o presente é explicado por alguma ação passada cujos efeitos permaneceram no tempo.

Função organizativa: o mito organiza as relações sociais (de parentesco, de alianças, de trocas, de sexo, de identidade, de poder, etc.) de modo a legitimar e garantir a permanência de um sistema complexo de proibições e permissões.

Função compensatória: o mito narra uma situação passada, que é a negação do presente e que serve tanto para compensar os humanos de alguma perda como para garantir-lhes que um erro passado foi corrigido no presente, de modo a oferecer uma visão estabilizada e regularizada da natureza e da vida comunitária.

Alvaro Dia - Fã nº1