Persona



O termo persona vem do latim persona/ae = máscara, figura, pessoa, etc. Foi utilizado para denominar a máscara que os atores do teatro grego usavam. Sua função era tanto dar ao ator a aparência que o papel exigia quanto amplificar sua voz, permitindo que fosse bem ouvida pelos espectadores. A palavra é derivada do verbo personare, ou "soar através de".

Em psicologia, persona serve de significante para o conjunto de caracteres comportamentais que identificam um indivíduo, na sua relação com o mundo. Jung utilizou o termo persona como agrupamento de conteúdos conscientes e inconscientes, integrante da formação do eu pessoal.

Alegoricamente falando, persona seria a máscara que o indivíduo usa no seu contato com demais indivíduos ou grupos, servindo-lhe de defesa como uma peneira, um anteparo. 

Fundamentalmente a “persona” não é nada real: é um compromisso entre individuo e sociedade em relação ao que um homem aparentemente deveria ser. Ele assume um nome, ganha um título, exerce uma função, é isto ou aquilo. Em certo sentido, tudo isso é real. No entanto, em relação à individualidade essencial da pessoa envolvida, esta é somente uma realidade secundária.

A identificação com uma profissão ou título é na realidade muito atraente; é precisamente por isso que tantas pessoas não são nada mais do que o decoro concedido e elas pela sociedade. Em vão procuramos uma personalidade por detrás dessa máscara. É por isso que a profissão - ou qualquer outra capa exterior- é tão atraente: ela oferece uma compensação fácil para as deficiências pessoais.

Essa identificação egóica (de ego) do ser humano com sua profissão ou status social é a causa do sofrimento vivido por tantos, pois a verdadeira identidade permanece oculta, levando as pessoas a viver nas trevas de uma ignorância fundamental de si mesmas.

A persona pode ter aspectos positivos e negativos. Ela serve para proteger o Ego e a psique das diversas forças e atitudes sociais que nos invadem. Nesse caso, o indivíduo adota conscientemente uma personalidade artificial ou mascarada, contrária aos seus traços de caráter, para se proteger, se defender ou para tentar se adaptar ao seu círculo. Quando estamos isolados, em silêncio, sozinhos, nossa persona se manifesta de modo distinto de quando estamos na rua, no trabalho ou numa festa. Há assim uma persona para o convívio social e outra para quando estamos sozinhos. Portanto, quanto mais próxima a persona estiver do eu, mais verdadeiro e mais forte o indivíduo para enfrentar a realidade.