O Mito em Ordem Dos Fantasmas


A linguagem do mito é uma linguagem universal usada para revelar, por meio de figuras, símbolos e arquétipos, tudo o que não se viu com coerência, ainda que se reconheça como realidade. É preciso lembrar que a linguagem religiosa é simbólica e polissêmica por natureza. A fé resultante dessa experiência do Sagrado surge quando o ser humano se conscientiza do infinito de que faz parte. Desta percepção nascem os mitos. Por isso, o mito está intimamente ligado à linguagem religiosa e à espiritualidade humana.

Tudo o que foi criado (árvores, montes, estrelas etc.) foi nomeado por seres humanos, graças à sua capacidade imaginativa. Ora, se tais coisas são nomeadas, seus nomes são invenções humanas sobre realidades existentes. O mito retém em si fagulhas da verdadeira eternidade e do mistério que é o Deus criador. Assim, ao criar mitos e usá-los para refletir sua própria realidade, o ser humano exerce seu direito intrínseco, imaginativo, de reproduzir em sua criação aquilo que pode ser percebido. 

Se você já leu Ordem dos Fantasmas sabe a relação da palavra "nome" com a narrativa, se ainda não leu, saiba: “Os místicos, protegem o nome de batismo!”

Não me surpreende que a leitura desse livro comova, irrite, perturbe e enriqueça a vida de quem o lê. Afinal, a linguagem mítica é plural, frutífera e sempre aponta para algo além dela mesma... até de fantasmas!
Flavia Camargo