Inconsciente Coletivo


- Mestre?! O nome dele!
- Seu nome era Exemplo, o herói de todos os heróis da Grécia. 
- Que nome lindo! Ele tinha um nome na mitologia romana?!
- Sim, querida. Para os romanos ele era Modelo, o maior de todos os heróis. E como eu dizia, duvidava-se da existência do herói Exemplo, mas o povo ouvia e contava estórias sobre ele... Alguns diziam que ele era alto e forte... Outros diziam que ele era baixinho, não muito musculoso, mas extremamente corajoso... Diziam que ele era isso, que ele era aquilo, mas na verdade não tinham certeza alguma das suas características físicas... Quanto aos seus feitos, havia estórias incontáveis. Por essa razão alguns estudiosos acreditam na teoria de que as folhas não foram arrancadas do Teogonia, mas que Hesíodo, percebendo a impossibilidade de narrar tantas aventuras, escreveu apenas uma frase a respeito do nosso herói: "Encontrarão apenas Liberdade, Igualdade e Fraternidade no herói Exemplo".
(Ordem dos Fantasmas – *Ebook Pág.23 – *Físico Pág. 24)

Há dois principais motivos que fazem da Mitologia Grega a mais estudada das mitologias: sua racionalidade e sua importância histórica como base da civilização ocidental. Diz-se que os gregos antigos possuíam um "gênio racional", uma mente lógica por excelência. Esta "mente lógica" adaptou os mitos pré-existentes às necessidades da razão. Assim, absurdos foram corrigidos e coerência foi impressa à Mitologia. Por exemplo, as religiões persas acreditavam que o Universo era fruto da guerra do Bem contra o Mal, da guerra dos seres da Luz contra os seres das Trevas e que a vitória daquela sobre estas dependia diretamente da execução de determinados rituais. Isso na prática quer dizer que os persas acreditavam que se sacrifícios não fossem feitos, haveria o sério risco do Sol não voltar a nascer pela manhã e as trevas se perpetuariam no planeta. Os gregos jamais se permitiriam aceitar tamanha idiotice e se viram obrigados a criar uma visão de mundo cujas leis fossem estáveis e confiáveis. Era evidente para o "gênio racional" grego que o Sol nasce a partir de uma força intrínseca a ele e ao Universo e não na dependência das ações humanas. Apareceram então os conceitos de "Ordem do Mundo" (Kosmos) e de "Natureza" (Physis), que os afastou das "trevas" da incerteza e da ignorância. O "Chaos" cedeu lugar ao "Kosmos" e nele reina necessariamente uma natureza lógica, previsível e estável. Apesar de ainda existirem inúmeras religiões, inclusive o Judaísmo e o Cristianismo, que se baseiam nas noções persas de um universo caótico na dependência dos atos humanos. Foi dos conceitos de Kosmos e de Physis que surgiu a cultura ocidental, a Filosofia e a Ciência.

Com o passar do tempo, a racionalidade grega foi superando a noção de religião e tornando-se de sacra em laica, lógica e desvinculada totalmente da idéia do sagrado. Mais tarde Aristóteles em Atenas explicaria a gênese do pensamento filosófico da mesma maneira como se explica a gênese do pensamento mitológico: "é através do espanto que os homens começam a filosofar".

Existe uma espécie de preconceito generalizado contra os métodos filosóficos e especulativos do pensamento mítico. Porém, a Mitologia Grega é à base do pensamento ocidental e guarda em si a chave para o entendimento de nosso mundo, de nossa mente analítica e de nossa psicologia. Ao se comparar a Mitologia Grega com as demais mitologias (africanas, indígenas, pré-colombianas, orientais, etc) descobre-se que há entre todas elas um denominador comum. Algumas vezes estaremos frente aos mesmos deuses, apenas com nomes diferentes, sem que exista nenhuma relação histórica entre esses povos. Este material comum a todas as mitologias foi descoberto pelo psiquiatra suíço Carl Gustav Jung e foi por ele denominado de "Inconsciente Coletivo". O estudo deste material revela-nos a mente humana e seus meandros multifacetados. Como foi dito, os mitos são atemporais e eternos e estão presentes na vida de cada Ser Humano, não importa em que tempo ou em que local.