Intuição



A intuição é uma faculdade que possibilita a associação de conteúdos conscientes e inconscientes, estabelecendo um fluxo espontâneo de informações que de outra forma, não seriam relacionados. A intuição, ao contrário dos instintos, possibilita reações diferentes a novas situações apresentadas ao indivíduo. Ela é responsável pela grande gama de decisões que diferentes pessoas tomam quando expostas a situações semelhantes.

Segundo Jung, é uma função da percepção que compreende o subliminar, isto é, a relação possível com objetos que não aparecem no campo da visão, e as mudanças possíveis, tanto no passado como no futuro, a respeito das quais o objeto nada tem a nos dizer. 

“A intuição é uma percepção imediata de certas
relações que não podem ser constatadas
no momento da orientação”. 

No capítulo X do volume IX/I das Obras Completas, Jung fala sobre a forma de funcionamento da memória e faz uma relação com a intuição: “... a memória funciona em geral automaticamente. Costuma utilizar as fontes da associação, mas muitas vezes serve-se desta de um modo tão extraordinário, que é preciso refazer um cuidadoso exame de todo o processo de reprodução da memória, a fim de descobrir como certas lembranças conseguiram chegar à consciência. Muitas vezes essas fontes não podem ser encontradas. Em tais casos é impossível descartar a hipótese da atividade espontânea do inconsciente. Outro exemplo é a intuição, a qual se baseia principalmente em processos inconscientes de natureza muito complexa. Por esta peculiaridade, a intuição é a ‘percepção via inconsciente...” 

Pode-se dizer que a intuição é uma função autônoma, sendo impossível submetê-la ao controle da consciência. Da mesma forma que, quando precisamos e não conseguimos nos recordar de alguma informação importante, basta nos distrair com qualquer outra coisa para que a informação nos surja à mente, como que por capricho do inconsciente. Assim também a intuição se processa. Tudo que podemos fazer é deixar o caminho livre para que os conteúdos ocultos “sintam-se à vontade” para vir à consciência, nos brindando com o paradoxal frescor da sua sabedoria ancestral.