O leitor de Ordem dos Fantasmas


A elaboração estética em Ordem dos Fantasmas utiliza uma linguagem mais próxima das situações de fala cotidiana, abdicando do uso de formas mais elaboradas ou complexas com predomínio do sentido metafórico. 

No ato de ler, o leitor é acionado com marcas, pistas e indícios textuais, que funcionam como uma espécie de roteiro, que faz com que o leitor não se perca e a leitura seja pertinente. Embora cada leitor, por ter acumulado experiências distintas, vai seguir pistas diferentes e construir seus próprios sentidos sobre o que lê. No entanto o autor internaliza um de modelo de leitor (“leitor implícito”) a quem eventualmente se dirige modulando metáforas criativas. O trecho abaixo exemplifica o tipo de leitura necessária para atingir o estético imaginado por Eucajus

- Mestre. Porque suas histórias não têm título?

- Tenho medo que o título seja melhor que a história. Mas, para satisfazer sua vontade, vamos intitular essa história de Shopping Felicidade.

- Tem loja pra criança nesse shopping?

- Tem lojas para satisfazer todas as idades.

- E praça de alimentação?

- Querida, neste shopping tem um hambúrguer de tirar o chapéu, coloca o MacDano's no chinelo. É o Big Hannibal, especialidade da Hamburgueria Morte Lenta.

- Big Hannibal? Nunca ouvi falar.

- Mestre, eu sei. É o cara que comia o cérebro das pessoas naquele filme, né?

- O hambúrguer é de cérebro?!

- Não querida. Mas... bem que podia ser!

- Credo Mestre!

- De cérebro. Entendi... mas por que Hannibal?

- Porque a mãe dele dizia: Lector, você deve experimentar coisas novas!

- Lector, não. É Lecter!

- Isso, Lecter... Agora queridos inocentes, silêncio!...

(Ordem dos Fantasmas – Pág.27)

Esse “leitor implícito” é curioso, lê as entre linhas, pesquisa citações, interpreta metáforas e sente-se provocado com uma leitura repleta de porquês. Porque 'lector' em inglês é leitor!

Profa. Lucinda M. Tibola