Sobre o Capítulo Gravações


Escutar a narração de uma história oferece ao ouvinte uma herança arquetípica da humanidade, um tesouro de poderes imaginativos que está vivo dentro de cada um e que ressurge magicamente a partir da conexão do consciente com o inconsciente; resgata a cultura e a própria história, podendo construir um novo olhar para as situações vividas e estruturar um vínculo significativo entre as pessoas. Para Nancy Mellon, “despertar as imagens que se encontram adormecidas, mas que ainda podem ser encontradas na parte de nossa imaginação onde essas histórias repousam é tornar a vida mais plena e radiante”.

Os contos e as parábolas dialogam diretamente com as imagens arquetípicas adormecidas dentro de nós. Estão ali metaforicamente as angústias e aflições de todas as fases da vida, da infância a fase madura, aliando aspectos da inocência infantil à profunda apreciação psicológica da velhice, congregando o princípio e o fim da existência humana de forma suave e com encantamento a fim de facilitar os momentos de transição e contribuir para o processo de individuação.

“... É como um quadro que você descobre, olha, contempla e que pouco a pouco vai se impondo, vai enfeitiçando, por assim dizer. Há como um encantamento que vem de sua linguagem mágica.” (BONAVENTURE, 1992, p.12)

Libertar imagens míticas é função de ‘Gravações’; com a linguagem simbólica livre, as estruturas mentais primitivas se libertam na psique do leitor moderno para reconhecer um bicho Livro Selvagem!